Take one last look at my lost eye
and throttle the ignition...
I'm losing my religion
And it makes me wanna cry.
Torture me
with the sweet sound
of a lightning stroke.
Kill me
with soft words
untill you choke.
Cast a spell over my lies
Breathing gets harder and harder
as you slowly spell "goodbye".
Just stabb her!
Torture me
with the tearing sound
of love notes.
Kill me
with a lyrics
that you wrote.
I don't understand
I can't stand this any longer.
As you sing so sweetly
I'm growing weaker.
Could I?
Should I?
Don't ask too much of me
I'll do as I'm told...
11/06/2007
10/27/2007
Hoje não sou poeta...

Hoje nao me apetece escrever nada poético.
So me apetece escrever. Escrever sobre música, sobre a escola, sobre... Ontem tive teste de Geometria Descritiva. Era relativamente fácil. Talvez tenha um 11... Já nao era mau de todo, tendo em conta que sou uma azelha em tudo o que tenha a ver com números, matemáticas, geometrias e porcarias desse género. Sou melhor às linguas. Por falar em linguas, tive a minha primeira aula de Alemao na 4ª feira. Nao me parece assim tao dificil.
Neste momento tou a conversar com um monte de gente no MSN e a ouvir Mindless Self Indulgence.. (sim, aquela banda cuja baixista eu detesto xD)
E estou cansada de escrever parvoeiras. Vou comprar o "Life on The Murder Scene"!! yay! x'3
Aquela ali em cima sou eu.
Cumps*
10/20/2007
uma pequena semente...
A minha avó disse-me que o meu amor por ti foi, em tempos, uma pequena semente que plantei muito antes de ser quem sou. Sinceramente, não me lembro de ter plantado coisa nenhuma. Lembro-me de brincar no pátio, de ter um cão pequeno e depois um grande, lembro-me das gatas vadias que andavam por lá, lembro-me das galinhas, dos patos, dos porcos e dos faisões. Lembro-me das parreiras, das pererias, das macieiras e das rosas vermelhas, brancas e amarelas. Lembro-me da minha avó Lena, da minha bisavó Maria José, do meu avó Manuel e do meu pai. Lembro-me de Coimbra... Mas não me consigo lembrar de ter plantado a semente do meu amor por ti... Só sei que te amo e pronto. Não quero saber porquê, nem como começou. Só quero saber que os teus olhos continuarão a brilhar, o teu sorriso continuará a abrir-se a tua voz continuará a soar aqui, no meu coração. Não quero saber da semente para nada! Porque uma semente origina uma planta, e as plantas morrem com a geada. Não quero que o meu amor por ti morra nunca!
10/16/2007
p
The Adventures of the Demolition Sisters
1- A desgraça de alguns é a felicidade de outros
Estava um tempo razoável. No céu havia nuvens, mas não chegavam para tapar o sol. Choveria em breve, mas não fazia frio. As pessoas de Turtuga estavam felizes, todas elas exibiam sorrisos ora leves ora de orelha a orelha. Todos pareciam satisfeitos, excepto Kate.
- Não acredito! Não acredito mesmo nisto! – Dizia Kate enquanto andava pelas ruas de Turtuga, mais para si que para qualquer outra pessoa. Estava bastantechateada e os seus olhos verdes pareciam em chamas. – Eu não consigo, não posso acreditar! – Repetia ela.
Jack seguia atrás dela tentando acompanhar o seu passo rápido.
- Tens de admitir que não foi um mau negócio!... Ficámos com rum para o próximo mês INTEIRO e AINDA cem galeões! Melhor negócio é impossível! – Gabava-se ele com uma garrafa na mão, feliz de vida.
- Não acredito nisto… – afirmou, de novo, Kate. – Jack!!! Pára com essa conversa!!! Rum para um mês inteiro!?... Cem galeões!?... Blá… blá… blá…!!! Daqui a duas semanas já tu bebeste o rum todo e cem galeões não dão para nada! Temos dinheiro para comer durante uma semana ou duas, mas… e depois? Nem sequer terás onde curar a bebedeira visto que trocaste o nosso barco por ninharias!!! – Kate estava mesmo muito zangada e o seu rosto adquirira agora um tom arroxeado – Diz-me Jack… QUE RAIO VAMOS NÓS FAZER SEM A PORCARIA DO BARCO??!! – Olhou para Jack, ofegante, como se esperasse uma resposta que teimava em não chegar.
- KK… queres um golinho? – Respondeu Jack apontando com os olhos paea a garrafa que tinha na mão. Estava impávido e sereno, como se o discurso dela não o tivesse afetado nem um pouco. Ouviu-se um trovão e, de repente, começou a chover.
- Não me faltava mais nada! … - Resmungou Kate, abatida – Olha o que fizeste, Jack! Como é que vamos sair desta? Não acredito! – Parecia não haver o mínimo rasgo de esperança nas palavras da rapariga.
- Está bem, está bem, já sei – disse então Jack fazendo uma cara de quem tinha tido uma ideia excelente. Não havia mais ninguém à sua volta, o que seria de esperar dada a tempestade que havia despertado. O que minutos antes era uma rua extremamente movimentada de Turtuga, era agora nada mais que uma espécie de ribeirinha pela qual escorria água rua abaixo. As pessoas que antes andavam às compras já tinham corrido todas para debaixo de toldos; os comerciantes de rua tinham enrolado rapidamente as tralhas e metido a trouxa às costas; até os pequenos meninos ladrões se tinham ido acolher debaixo de alguma coisa, tal era a chuvada. Apenas Kate e Jack se mantinham ainda no meio da rua, debaixo da chuva e de alguns olhares curiosos de quem estava à espera que o tempo melhorasse. Jack olhou em volta e avistou um espaço abrigado da chuva perto de uma tenda de comerciantes e, apontando disse para Kate:
- Senta-te ali e espera por mim, está bem? Kate não se mexeu. Então Jack pegou nela ao colo e levou-a assim até ao sítio que apontara. Poisou-a no chão e fê-la sentar-se. – Eu volto depressa. Não saias daqui, está bem?
Kate olhava embasbacada para Jack enquanto o via ir-se embora a passos largos, com a roupa colada ao corpo por causa da chuva e tropeçando naquele seu jeito particular. Aquela cena tê-la-ia feito rir se as circunstâncias fossem outras. Deixou-se então ficar ali sentada, impotente, se dinheiro, sem barco e agora sem Jack… nada poderia fazer a não ser esperar. Sabia que já ninguém olhava para ela; estava em Turtuga, onde todos os dias se viam piratas que haviam perdido os seus barcos. Sabia também que ninguém iria parar na rua para lhe perguntar se estava bem. No final de contas, por ali só passavam trapaceiros, ladrões, vigaristas, bêbedos e, como é óbvio, piratas como ela, gente que não se importava com os outros, para quem ela era simplesmente invisível. Só lhe restava esperar. As horas iam passando, uma após a outra; a chuva parou deixando, mesmo assim, um céu enevoado e uma ventania enorme. Kate deu por si a pensar que não era mau de todo ter perdido o seu barco ou estaria a ter problemas no mar por essa altura. Riu-se do seu pensamento e, depois a raiva por Jack voltou. Onde estaria aquele desgraçado? Por certo já estaria a podre de bêbedo, caído nalgum sítio, ou então andava a gastar o único dinheiro que lhes restava em insignificâncias. Tal hipótese enfureceu-a ainda mais e deu por si a rasgar em pedaços uma folha de palmeira que estava no chão. Já tinha o corpo dorido de há tanto tempo estar ali sentada e levantou-se, ficou tonta e teve de se agarrar a uma árvore. Olhou então à volta e deu-se conta de que já era noite. De facto, Turtuga já tinha adquirido alguma da sua barulheira nocturna, a sua tonalidade de cores vibrantes e cheiros estranhos e exóticos. Começou então a ficar aflita. Jack poderia estar agora longe dali, ter-se metido numa embrulhada e tê-la deixado ali à sua mercê, sozinha e sem nada; que faria ela agora? -Sou uma pirata -pensou - Não me preocupo com ninguém nem com nada, nem sequer devia estar preocupada! Acabo sempre por ser eu a resolver tudo sozinha, não seria a primeira vez... quem precisa de Jack? Sou nova, errante, faço o que quero, posso começar tudo do zero sozinha...pois posso... – olhou para o sitio onde já estava havia horas. Já não fazia sentido estar ali à espera de Jack se não tinha a certeza de que ele voltaria. O vento já tinha parado, sinal de que tudo estava a melhorar...
-Hei KK...! - Um alívio profundo atingiu Kate. Era a voz do pirata. Kate virou-se de frente para a pessoa que a tinha chamado. Era de facto Jack, mas vinha acompanhado.
-Eu disse-te que ia resolver a nossa situação, não disse? - Perguntou Jack sorrindo e mostrando-se contente consigo próprio.
-mm, como... mm, é que isto...eles vão ajudar-nos? - Os acompanhantes de Jack eram um rapaz e uma rapariga, pareciam um bocado atordoados, estavam mal vestidos e muito sujos mas não eram com certeza piratas como ela e Jack, não tinham correntes ou dentes de ouro e, impossível! Não tinham tatuagens nem só mesmo o 'P' que todos os piratas têm. Passavam bem por pedintes se Kate não soubesse que não os havia por ali. Em Turtuga ninguém dava nada a ninguém, toda a gente roubava tudo a toda a gente. Só poderiam ser...
-Escravos! Pensei bem, não? - Ria-se agora Jack. Kate continuava sem perceber nada. - Não pensaste que conseguíamos roubar um barco os dois sozinhos, pois não? E não olhes para mim como se eu tivesse feito porcaria, também os pedi emprestados por isso não nos custaram nada...
-Pediste emprestados? - Perguntava Kate ainda não muito convencida.
-Bem, foi por isso que demorei mais tempo, ainda andei um bocado até encontrar vendas de escravos e depois tive de esperar até que o vendedor não estivesse a prestar muita atenção, não que eu tivesse medo de o enfrentar 'mano-a-mano' mas, sabes como é, mais vale não chamar a atenção para nós...como ia a dizer, esperei e quando o vendedor não estava a olhar dei como que, uma pauladazita na cabeça a estes dois que me pareciam mais fáceis de 'manejar', arrastei-os até à praia e só depois de eles acordarem e de eu ir resolver um assunto é que viemos ter contigo.
-Está bem, até não foi mau pensado de todo – disse Kate com um sorriso nos lábios. Jack quando queria até puxava pela cabeça – Assunto? Não foste comprar nem roubar rum porque ainda não bebeste todo o que tens... Já sei, foste comprar comida Jack! Vem mesmo a calhar já tenho um buraco no estômago...
-Não propriamente...mas fui comprar uma coisa, sim - Jack tirou uma caixa com buracos de trás das costas, lá de dentro veio uma espécie de 'rugido pequenino' e Kate deu um passo atrás. - É para ti. - Jack deu a caixa a Kate, esta apreensiva pegou nela e abriu. Lá dentro estava um gato.
2-Trouble
-Um gato? - Kate olhava para o animal sem saber o que pensar.
-Comprei-o para ti. Lembrei-me que estavas aqui sozinha, eu estou sempre contigo mas em situações como esta não queria que estivesses sozinha então pensei em oferecer-te um animal que fosse parecido contigo. Pois nada melhor que um gato, independentes e orgulhosos mas não dispensam alguns mimos da pessoa certa.
Kate pegava agora no gato ao colo, era pequenino e traquina, preto e com riscas cinzentas. Queria dizer a Jack que tinha sido uma estupidez gastar dinheiro num gato quando estavam tanto a precisar de dinheiro e principalmente quando o podiam ter roubado, mas no final de contas estava sem palavras, tinha adorado o presente e tinha sido um gesto muito bonito da parte de Jack, eram coisas assim que a faziam gostar dele e aturar-lhe tanta coisa, por isso disse apenas: Obrigada.
Jack sorriu – de nada. Mas tens de lhe dar um nome, não é?
'Um nome, um nome...' pensou Kate. Olhou para o gato enquanto este já brincava com um dos colares que Kate tinha ao pescoço e riu-se. Já tinha o nome perfeito para ele. - Trouble. Traquina como é, está-se mesmo a ver que este só me vai dar problemas, ele por si só é um verdadeiro problema visto que não temos barco nem comida mas enfim. Trouble será.
Jack e Kate riram-se como se fossem um só por alguns segundos e depois Jack lembrou-se dos outros dois que estavam com eles, estavam mesmo atrás dele e Kate, sem falar, encostados à árvore ainda com cara de quem não percebia nada mas também não estavam com cara de quem estivesse a prestar atenção a alguma coisa.
-Hei vocês... – eles não pareceram ligar – vocês os dois aí – chamou Jack e eles olharam por fim - vocês têm nomes não?
Os dois olhavam agora fixamente para Jack, como se não tivessem percebido o que ele tinha acabado de dizer e estivessem à espera que ele repetisse a pergunta. Por fim o rapaz falou – os nossos números de escravos, senhor? Eu sou o 16 e ela é a 17, senhor.
Kate olhou para eles e instantaneamente disse – Qual senhor qual quê, quanto muito podem chamar-lhe capitão… mas visto agora não termos navio tratem-no só por Jack. E não, não é os vossos números de escravos mas sim os vossos nomes que queremos saber... vocês agora são parte da nossa tripulação, nossos cúmplices não escravos, é claro que sendo parte da tripulação, farão o que nós vos pedirmos e tudo o mais, mas andarão livremente até darem provas de que não merecem. Não é assim, Jack?
Jack concordou com meio sorriso. Era óbvio que ele não usaria exactamente as palavras de Kate como sendo dele, mas também não achou tão mau assim. O rapaz voltou a falar. Tinha antes as mãos nos bolsos mas tirou-as e começou a articular bastante enquanto falava. Era alto, estava magro mas não esquelético, tinha olhos verdes bonitos e cabelo preto desalinhado que teimava em cair-lhe para a cara enquanto ele o tentava meter para o lado abanando o pescoço de vez em quando. Notava-se que gostava de falar e que já não tinha oportunidade de o fazer como queria fazia tempo. - O meu nome é Winchester, Jack. Fomos raptados por uns contrabandistas em Londres, apesar disso ninguém anda à nossa procura porque nós fugimos da nossa família para estarmos juntos é que eu e a Megan queríamos casar. Fomos então trazidos para cá num barco cheio de gente como nós há cerca de uma semana e ficámos nesse mesmo barco até hoje à tarde quando tivemos a sorte de sermos mais uma vez raptados, desta feita pelo Jack. O nome dela é Megan – disse apontando para a rapariga - Winchester. Chegámos a casar-nos – disse entusiasticamente.
Jack parecia agora um pouco aborrecido, não queria saber de onde tinham vindo aqueles dois nem se eram casados ou não, queria só que eles lhes ajudassem a roubar um navio e que pudesse mandar neles. - Nós gostamos de manter as coisas simples, já existe um Jack e sou eu por isso tu ficas J.W - afirmou apontando para o rapaz - e tu, rapariga calada, ficas Meg porque nós não temos paciência para nomes grandes. Meg ou Egg... tu escolhes.
-Meg está bem, obrigada. - Disse a rapariga ruiva com sardas. Estava pálida e não tinha nada a ver com o rapaz, era muito calada, ou pelo menos não parecia querer falar.
Esta teve piada não teve? Meg ou Egg... – Jack ria-se do que tinha dito e Kate estava agora mais preocupada em dar atenção ao seu gato.
Encontravam-se pois ali, os quatro sem nada para dizer. Kate dava festinhas a Trouble enquanto este brincava com a sua própria cauda, Jack bebia da sua garrafa, J.W. parecia querer falar mas não sabia o que dizer e Meg continuava ainda encostada à arvore e olhava para o céu como se o estivesse a ver estrelado e bonito, o que não era possível visto nuvens cinzentas ainda cobrirem totalmente o céu. Passados uns dez minutos Kate pareceu lembrar-se da sua situação. Olhou para J.W e Meg, o que tinham vestido teria sido roupa em tempos mas não o era agora de certeza, tratavam-se de farrapos castanhos e brancos e nada mais do que isso. -Temos de arranjar-vos roupas novas, eu e Jack temos uma reputação a manter, não podem andar assim vestidos connosco. E agora também dava jeito ir comer qualquer coisa, vocês estão com cara de quem não come há dias e eu também não estou muito melhor. Vamos Jack?
-Glup, Vamzz ssimm – disse Jack com a boca cheia de rum.
-A única razão pela qual eu acredito ser impossível tu te embebedares é o facto de achares que já nasceste bêbado. - Kate desatou a rir-se e J.W acompanhou-a, feliz por poder fazer alguma coisa. Meg continuava impassível.
3- O vampiro misterioso
Mas nem todos estavam felizes. Enquanto Jack, Kate e os seus novos amigos celebravam o facto de (ainda) estarem vivos, havia alguém num local distante que preferiria estar morta. Caminhava devagar sobre a terra batida do cemitério da Pena, olhando para o chão. Lá em cima a Lua Cheia dava um ar da sua graça e as estrelas assemelhavam-se aos olhos de William. A rapariga deteve-se por um instante, fitou a lua e chorou silenciosamente e para si mesma.
-William... – era o grito desesperado que a rapariga tinha mantido guardado na garganta durante todos aqueles anos. E saíra finalmente, mas mais como um murmúrio de solidão que como um grito de raiva. - Porque me deixaste?
A rapariga olhou novamente o chão e prossegui, resmungando orações que nunca aprendera antes. Não se ouvia nada a não ser os seus sapatos calcando folhas secas no chão. De vez em quando distinguia-se ao longe o som da cidade frenética, a vários quilómetros de distância.
- Não te mexas!
- Aconteceu tudo demasiado rápido. Num segundo, a rapariga estava a caminhar pelo Cemitério da Pena, triste e sem alento. No segundo seguinte, sentia um par de braços a envolver-lhe o peito, duas mãos pesadas na sua boca, como que a amordaçá-la, e então o silêncio foi quebrado por aquela ordem gritada por aquela voz assustadora. Amedrontada, a rapariga obedeceu e deixou a criatura envolver-se no seu corpo agora frágil. Marie era uma miúda bastante robusta, não muito alta mas bastante forte. Tinha umas pernas particularmente musculadas, como uma judoca. E a sua força de braços parecia não lhe caber no seu pouco mais de metro e meio. Já havia dado cabo de alguns rapazes do seu bairro, ladrões e tarados que se metiam com ela pensando tratar-se de presa fácil. A um deles provocou tamanhos ferimentos que o rapaz, corpulento e alto, acabou por bater a bota uma semana depois da briga. Era inacreditável como alguém daquele tamanho, força e flexibilidade não conseguia dar conta do que quer que fosse que a estava a agarrar. E a verdade é que a criatura não era assim tão grande e assustadora. Era apenas um homem, pelo menos à primeira vista. Não era muito mais alto que Marie, e também não parecia muito mais pesado que ela. A única coisa nele que poderia causar medo, eram as suas enormes presas. Como num tigre ou num leão, os seus caninos proeminentes pareciam capazes de perfurar carne e causar hemorragias mortais. Mas não se tratava dum tigre ou leão. De facto, aquela coisa assemelhava-se mais a um humano que a um animal. Na verdade, aquela coisa tratava-se de um vampiro. Um vampiro esfomeado, por sinal. E estava prestes a atirar-se ao pescoço de Marie. Ela parecia não se importar minimamente com isso. Já estava morta por dentro. Até lhe fariam um favor se lhe chacinassem o corpo. A sua alma tresandava a decomposição, como se estivesse enterrada há milhares de anos. Como se fosse uma múmia errante à espera que a maldição fosse libertada para voltar ao seu descanso milenar. E nada fez quando os enormes dentes do vampiro lhe perfuraram o pescoço e, gota a gota, lhe extraíram o sangue, deixando uma pequena parcela. Queria torná-la numa vampira. Uma das dele. Uma besta sem sentimentos, capaz de matar por um copo daquele líquido vermelho que outrora lhe correra nas veias. E ela nada fez para o impedir. Deixou que ele lhe limpasse o sangue. Pouco a pouco, a forte dor no pescoço onde ele lhe cravara as presas ia diminuindo. “Estou a morrer...” pensou para si. “Finalmente...” Então sentiu que a criatura se afastava. Sentiu os seus braços quentes afastarem-se do seu corpo subitamente febril. Estava morta. Ou não. Deu-se conta que das gengivas lhe pendiam dois dentes que não eram humanos. Dois caninos proeminentes. Dois dentes de vampiro. Era uma deles. Não estava morta, mas também já não era um “ser vivo”. Era uma fera nocturna, sem escrúpulos e sem alma. Nunca mais teria de levar com a luz do sol nem com toda aquela gentalha que sorria ao passar por ela, como se ela fosse “só mais uma”. Agora era uma vampira de apetite voraz, capaz de coisas inacreditáveis com o seu pouco mais de metro e meio. Virou-se para o homem para agradecer, mas deteve-se quando o olhou nos olhos. Eram os olhos mais bonitos que já vira. Poder-se-ia dizer que eram verdes, mas não o eram realmente. Eram como que uma mistura de verde com cor de avelã… mas que belos olhos tinha aquela criatura! Em nada se assemelhavam aos olhos de uma ser maligno. Ao olhá-los, Marie sentiu que havia algo ou alguém aprisionado dentro deles. Algo ou alguém bom, puro, com sentimentos. Como uma alma… deu por si a desejar abraçá-lo, beijá-lo, humanizá-lo. Mas controlou-se. Agora era bravia, não era suposto sentir o que quer que fosse por quem quer que fosse. Tinha sido transformada num ser de uma curiosidade apurada e, pior ainda, uma tamanha insolência capaz de irritar o mais sereno dos Homens.
- Como foi isso, vampiro? – Perguntou, apontando com a cabeça para o pescoço dele e levantando o queixo em sinal de superioridade. Podia perfeitamente pô-lo a sangrar e até partir-lhe um braço ou uma perna com relativa facilidade.
- Gerard. Para ti sou o Gerard. Aquele vampiro era deveras sensual. Devia medir cerca de um metro e setenta e cinco de altura, era robusto mas não gordo. Os seus longos cabelos pretos pareciam feitos de seda e os seus lábios em forma de coração eram extremamente apetecíveis. A sua camisa com quatro botões por apertar, as calças justas às suas pernas perfeitamente esculpidas, o seu sorrisinho cínico… tudo nele parecia despertar os mais selvagens instintos de Marie. Mas aqueles olhos… aqueles lindos olhos faziam-na recuar perante a ameaça iminente de voltar a si. Esquivou-se deles a todo o custo. – Nem queiras saber como isto foi… – apontou para os buraquinhos na sua pescoceira. Não se tinha transformado em vampiro por dá cá aquela palha. – Isso é uma outra história… para um outro dia… – à medida que ia falando aproximava-se mais e mais da jovem, que nada fazia para o afastar. Queria consumi-lo, possui-lo, respirá-lo… os seus mais primitivos desejos ardiam-lhe pelo corpo. Era uma vampira, nada lhe era proibido. Gerard agarrou-lhe no queixo com as mãos em forma de concha, como se soubesse exactamente o poder que os seus maravilhosos olhos exerciam sobre ela, que continuava a evitar a todo o custo o contacto visual. Gerard encostou os lábios à orelha direita dela – não resistas…
Quanto mais ela se tentava libertar dele mais presa àqueles braços ficava. Então ele aplicou o golpe de misericórdia: um olhar. Um simples olhar e aquela miúda ficaria à mercê do grande Gerard. Poderia fazer com ela o que desejasse, era a sua marioneta.
Por fim, os seus lábios fundiram-se
“Acabou-se”, pensou Marie, “estou final e completamente sob o feitiço desta...” não conseguia sequer pensar. Gerard cheirava a rosas vermelhas. Marie sentiu-lhe as mãos pesadas nas suas ancas. As mãos dele estavam quentes. Nenhum vampiro tem as mãos quentes…
1- A desgraça de alguns é a felicidade de outros
Estava um tempo razoável. No céu havia nuvens, mas não chegavam para tapar o sol. Choveria em breve, mas não fazia frio. As pessoas de Turtuga estavam felizes, todas elas exibiam sorrisos ora leves ora de orelha a orelha. Todos pareciam satisfeitos, excepto Kate.
- Não acredito! Não acredito mesmo nisto! – Dizia Kate enquanto andava pelas ruas de Turtuga, mais para si que para qualquer outra pessoa. Estava bastantechateada e os seus olhos verdes pareciam em chamas. – Eu não consigo, não posso acreditar! – Repetia ela.
Jack seguia atrás dela tentando acompanhar o seu passo rápido.
- Tens de admitir que não foi um mau negócio!... Ficámos com rum para o próximo mês INTEIRO e AINDA cem galeões! Melhor negócio é impossível! – Gabava-se ele com uma garrafa na mão, feliz de vida.
- Não acredito nisto… – afirmou, de novo, Kate. – Jack!!! Pára com essa conversa!!! Rum para um mês inteiro!?... Cem galeões!?... Blá… blá… blá…!!! Daqui a duas semanas já tu bebeste o rum todo e cem galeões não dão para nada! Temos dinheiro para comer durante uma semana ou duas, mas… e depois? Nem sequer terás onde curar a bebedeira visto que trocaste o nosso barco por ninharias!!! – Kate estava mesmo muito zangada e o seu rosto adquirira agora um tom arroxeado – Diz-me Jack… QUE RAIO VAMOS NÓS FAZER SEM A PORCARIA DO BARCO??!! – Olhou para Jack, ofegante, como se esperasse uma resposta que teimava em não chegar.
- KK… queres um golinho? – Respondeu Jack apontando com os olhos paea a garrafa que tinha na mão. Estava impávido e sereno, como se o discurso dela não o tivesse afetado nem um pouco. Ouviu-se um trovão e, de repente, começou a chover.
- Não me faltava mais nada! … - Resmungou Kate, abatida – Olha o que fizeste, Jack! Como é que vamos sair desta? Não acredito! – Parecia não haver o mínimo rasgo de esperança nas palavras da rapariga.
- Está bem, está bem, já sei – disse então Jack fazendo uma cara de quem tinha tido uma ideia excelente. Não havia mais ninguém à sua volta, o que seria de esperar dada a tempestade que havia despertado. O que minutos antes era uma rua extremamente movimentada de Turtuga, era agora nada mais que uma espécie de ribeirinha pela qual escorria água rua abaixo. As pessoas que antes andavam às compras já tinham corrido todas para debaixo de toldos; os comerciantes de rua tinham enrolado rapidamente as tralhas e metido a trouxa às costas; até os pequenos meninos ladrões se tinham ido acolher debaixo de alguma coisa, tal era a chuvada. Apenas Kate e Jack se mantinham ainda no meio da rua, debaixo da chuva e de alguns olhares curiosos de quem estava à espera que o tempo melhorasse. Jack olhou em volta e avistou um espaço abrigado da chuva perto de uma tenda de comerciantes e, apontando disse para Kate:
- Senta-te ali e espera por mim, está bem? Kate não se mexeu. Então Jack pegou nela ao colo e levou-a assim até ao sítio que apontara. Poisou-a no chão e fê-la sentar-se. – Eu volto depressa. Não saias daqui, está bem?
Kate olhava embasbacada para Jack enquanto o via ir-se embora a passos largos, com a roupa colada ao corpo por causa da chuva e tropeçando naquele seu jeito particular. Aquela cena tê-la-ia feito rir se as circunstâncias fossem outras. Deixou-se então ficar ali sentada, impotente, se dinheiro, sem barco e agora sem Jack… nada poderia fazer a não ser esperar. Sabia que já ninguém olhava para ela; estava em Turtuga, onde todos os dias se viam piratas que haviam perdido os seus barcos. Sabia também que ninguém iria parar na rua para lhe perguntar se estava bem. No final de contas, por ali só passavam trapaceiros, ladrões, vigaristas, bêbedos e, como é óbvio, piratas como ela, gente que não se importava com os outros, para quem ela era simplesmente invisível. Só lhe restava esperar. As horas iam passando, uma após a outra; a chuva parou deixando, mesmo assim, um céu enevoado e uma ventania enorme. Kate deu por si a pensar que não era mau de todo ter perdido o seu barco ou estaria a ter problemas no mar por essa altura. Riu-se do seu pensamento e, depois a raiva por Jack voltou. Onde estaria aquele desgraçado? Por certo já estaria a podre de bêbedo, caído nalgum sítio, ou então andava a gastar o único dinheiro que lhes restava em insignificâncias. Tal hipótese enfureceu-a ainda mais e deu por si a rasgar em pedaços uma folha de palmeira que estava no chão. Já tinha o corpo dorido de há tanto tempo estar ali sentada e levantou-se, ficou tonta e teve de se agarrar a uma árvore. Olhou então à volta e deu-se conta de que já era noite. De facto, Turtuga já tinha adquirido alguma da sua barulheira nocturna, a sua tonalidade de cores vibrantes e cheiros estranhos e exóticos. Começou então a ficar aflita. Jack poderia estar agora longe dali, ter-se metido numa embrulhada e tê-la deixado ali à sua mercê, sozinha e sem nada; que faria ela agora? -Sou uma pirata -pensou - Não me preocupo com ninguém nem com nada, nem sequer devia estar preocupada! Acabo sempre por ser eu a resolver tudo sozinha, não seria a primeira vez... quem precisa de Jack? Sou nova, errante, faço o que quero, posso começar tudo do zero sozinha...pois posso... – olhou para o sitio onde já estava havia horas. Já não fazia sentido estar ali à espera de Jack se não tinha a certeza de que ele voltaria. O vento já tinha parado, sinal de que tudo estava a melhorar...
-Hei KK...! - Um alívio profundo atingiu Kate. Era a voz do pirata. Kate virou-se de frente para a pessoa que a tinha chamado. Era de facto Jack, mas vinha acompanhado.
-Eu disse-te que ia resolver a nossa situação, não disse? - Perguntou Jack sorrindo e mostrando-se contente consigo próprio.
-mm, como... mm, é que isto...eles vão ajudar-nos? - Os acompanhantes de Jack eram um rapaz e uma rapariga, pareciam um bocado atordoados, estavam mal vestidos e muito sujos mas não eram com certeza piratas como ela e Jack, não tinham correntes ou dentes de ouro e, impossível! Não tinham tatuagens nem só mesmo o 'P' que todos os piratas têm. Passavam bem por pedintes se Kate não soubesse que não os havia por ali. Em Turtuga ninguém dava nada a ninguém, toda a gente roubava tudo a toda a gente. Só poderiam ser...
-Escravos! Pensei bem, não? - Ria-se agora Jack. Kate continuava sem perceber nada. - Não pensaste que conseguíamos roubar um barco os dois sozinhos, pois não? E não olhes para mim como se eu tivesse feito porcaria, também os pedi emprestados por isso não nos custaram nada...
-Pediste emprestados? - Perguntava Kate ainda não muito convencida.
-Bem, foi por isso que demorei mais tempo, ainda andei um bocado até encontrar vendas de escravos e depois tive de esperar até que o vendedor não estivesse a prestar muita atenção, não que eu tivesse medo de o enfrentar 'mano-a-mano' mas, sabes como é, mais vale não chamar a atenção para nós...como ia a dizer, esperei e quando o vendedor não estava a olhar dei como que, uma pauladazita na cabeça a estes dois que me pareciam mais fáceis de 'manejar', arrastei-os até à praia e só depois de eles acordarem e de eu ir resolver um assunto é que viemos ter contigo.
-Está bem, até não foi mau pensado de todo – disse Kate com um sorriso nos lábios. Jack quando queria até puxava pela cabeça – Assunto? Não foste comprar nem roubar rum porque ainda não bebeste todo o que tens... Já sei, foste comprar comida Jack! Vem mesmo a calhar já tenho um buraco no estômago...
-Não propriamente...mas fui comprar uma coisa, sim - Jack tirou uma caixa com buracos de trás das costas, lá de dentro veio uma espécie de 'rugido pequenino' e Kate deu um passo atrás. - É para ti. - Jack deu a caixa a Kate, esta apreensiva pegou nela e abriu. Lá dentro estava um gato.
2-Trouble
-Um gato? - Kate olhava para o animal sem saber o que pensar.
-Comprei-o para ti. Lembrei-me que estavas aqui sozinha, eu estou sempre contigo mas em situações como esta não queria que estivesses sozinha então pensei em oferecer-te um animal que fosse parecido contigo. Pois nada melhor que um gato, independentes e orgulhosos mas não dispensam alguns mimos da pessoa certa.
Kate pegava agora no gato ao colo, era pequenino e traquina, preto e com riscas cinzentas. Queria dizer a Jack que tinha sido uma estupidez gastar dinheiro num gato quando estavam tanto a precisar de dinheiro e principalmente quando o podiam ter roubado, mas no final de contas estava sem palavras, tinha adorado o presente e tinha sido um gesto muito bonito da parte de Jack, eram coisas assim que a faziam gostar dele e aturar-lhe tanta coisa, por isso disse apenas: Obrigada.
Jack sorriu – de nada. Mas tens de lhe dar um nome, não é?
'Um nome, um nome...' pensou Kate. Olhou para o gato enquanto este já brincava com um dos colares que Kate tinha ao pescoço e riu-se. Já tinha o nome perfeito para ele. - Trouble. Traquina como é, está-se mesmo a ver que este só me vai dar problemas, ele por si só é um verdadeiro problema visto que não temos barco nem comida mas enfim. Trouble será.
Jack e Kate riram-se como se fossem um só por alguns segundos e depois Jack lembrou-se dos outros dois que estavam com eles, estavam mesmo atrás dele e Kate, sem falar, encostados à árvore ainda com cara de quem não percebia nada mas também não estavam com cara de quem estivesse a prestar atenção a alguma coisa.
-Hei vocês... – eles não pareceram ligar – vocês os dois aí – chamou Jack e eles olharam por fim - vocês têm nomes não?
Os dois olhavam agora fixamente para Jack, como se não tivessem percebido o que ele tinha acabado de dizer e estivessem à espera que ele repetisse a pergunta. Por fim o rapaz falou – os nossos números de escravos, senhor? Eu sou o 16 e ela é a 17, senhor.
Kate olhou para eles e instantaneamente disse – Qual senhor qual quê, quanto muito podem chamar-lhe capitão… mas visto agora não termos navio tratem-no só por Jack. E não, não é os vossos números de escravos mas sim os vossos nomes que queremos saber... vocês agora são parte da nossa tripulação, nossos cúmplices não escravos, é claro que sendo parte da tripulação, farão o que nós vos pedirmos e tudo o mais, mas andarão livremente até darem provas de que não merecem. Não é assim, Jack?
Jack concordou com meio sorriso. Era óbvio que ele não usaria exactamente as palavras de Kate como sendo dele, mas também não achou tão mau assim. O rapaz voltou a falar. Tinha antes as mãos nos bolsos mas tirou-as e começou a articular bastante enquanto falava. Era alto, estava magro mas não esquelético, tinha olhos verdes bonitos e cabelo preto desalinhado que teimava em cair-lhe para a cara enquanto ele o tentava meter para o lado abanando o pescoço de vez em quando. Notava-se que gostava de falar e que já não tinha oportunidade de o fazer como queria fazia tempo. - O meu nome é Winchester, Jack. Fomos raptados por uns contrabandistas em Londres, apesar disso ninguém anda à nossa procura porque nós fugimos da nossa família para estarmos juntos é que eu e a Megan queríamos casar. Fomos então trazidos para cá num barco cheio de gente como nós há cerca de uma semana e ficámos nesse mesmo barco até hoje à tarde quando tivemos a sorte de sermos mais uma vez raptados, desta feita pelo Jack. O nome dela é Megan – disse apontando para a rapariga - Winchester. Chegámos a casar-nos – disse entusiasticamente.
Jack parecia agora um pouco aborrecido, não queria saber de onde tinham vindo aqueles dois nem se eram casados ou não, queria só que eles lhes ajudassem a roubar um navio e que pudesse mandar neles. - Nós gostamos de manter as coisas simples, já existe um Jack e sou eu por isso tu ficas J.W - afirmou apontando para o rapaz - e tu, rapariga calada, ficas Meg porque nós não temos paciência para nomes grandes. Meg ou Egg... tu escolhes.
-Meg está bem, obrigada. - Disse a rapariga ruiva com sardas. Estava pálida e não tinha nada a ver com o rapaz, era muito calada, ou pelo menos não parecia querer falar.
Esta teve piada não teve? Meg ou Egg... – Jack ria-se do que tinha dito e Kate estava agora mais preocupada em dar atenção ao seu gato.
Encontravam-se pois ali, os quatro sem nada para dizer. Kate dava festinhas a Trouble enquanto este brincava com a sua própria cauda, Jack bebia da sua garrafa, J.W. parecia querer falar mas não sabia o que dizer e Meg continuava ainda encostada à arvore e olhava para o céu como se o estivesse a ver estrelado e bonito, o que não era possível visto nuvens cinzentas ainda cobrirem totalmente o céu. Passados uns dez minutos Kate pareceu lembrar-se da sua situação. Olhou para J.W e Meg, o que tinham vestido teria sido roupa em tempos mas não o era agora de certeza, tratavam-se de farrapos castanhos e brancos e nada mais do que isso. -Temos de arranjar-vos roupas novas, eu e Jack temos uma reputação a manter, não podem andar assim vestidos connosco. E agora também dava jeito ir comer qualquer coisa, vocês estão com cara de quem não come há dias e eu também não estou muito melhor. Vamos Jack?
-Glup, Vamzz ssimm – disse Jack com a boca cheia de rum.
-A única razão pela qual eu acredito ser impossível tu te embebedares é o facto de achares que já nasceste bêbado. - Kate desatou a rir-se e J.W acompanhou-a, feliz por poder fazer alguma coisa. Meg continuava impassível.
3- O vampiro misterioso
Mas nem todos estavam felizes. Enquanto Jack, Kate e os seus novos amigos celebravam o facto de (ainda) estarem vivos, havia alguém num local distante que preferiria estar morta. Caminhava devagar sobre a terra batida do cemitério da Pena, olhando para o chão. Lá em cima a Lua Cheia dava um ar da sua graça e as estrelas assemelhavam-se aos olhos de William. A rapariga deteve-se por um instante, fitou a lua e chorou silenciosamente e para si mesma.
-William... – era o grito desesperado que a rapariga tinha mantido guardado na garganta durante todos aqueles anos. E saíra finalmente, mas mais como um murmúrio de solidão que como um grito de raiva. - Porque me deixaste?
A rapariga olhou novamente o chão e prossegui, resmungando orações que nunca aprendera antes. Não se ouvia nada a não ser os seus sapatos calcando folhas secas no chão. De vez em quando distinguia-se ao longe o som da cidade frenética, a vários quilómetros de distância.
- Não te mexas!
- Aconteceu tudo demasiado rápido. Num segundo, a rapariga estava a caminhar pelo Cemitério da Pena, triste e sem alento. No segundo seguinte, sentia um par de braços a envolver-lhe o peito, duas mãos pesadas na sua boca, como que a amordaçá-la, e então o silêncio foi quebrado por aquela ordem gritada por aquela voz assustadora. Amedrontada, a rapariga obedeceu e deixou a criatura envolver-se no seu corpo agora frágil. Marie era uma miúda bastante robusta, não muito alta mas bastante forte. Tinha umas pernas particularmente musculadas, como uma judoca. E a sua força de braços parecia não lhe caber no seu pouco mais de metro e meio. Já havia dado cabo de alguns rapazes do seu bairro, ladrões e tarados que se metiam com ela pensando tratar-se de presa fácil. A um deles provocou tamanhos ferimentos que o rapaz, corpulento e alto, acabou por bater a bota uma semana depois da briga. Era inacreditável como alguém daquele tamanho, força e flexibilidade não conseguia dar conta do que quer que fosse que a estava a agarrar. E a verdade é que a criatura não era assim tão grande e assustadora. Era apenas um homem, pelo menos à primeira vista. Não era muito mais alto que Marie, e também não parecia muito mais pesado que ela. A única coisa nele que poderia causar medo, eram as suas enormes presas. Como num tigre ou num leão, os seus caninos proeminentes pareciam capazes de perfurar carne e causar hemorragias mortais. Mas não se tratava dum tigre ou leão. De facto, aquela coisa assemelhava-se mais a um humano que a um animal. Na verdade, aquela coisa tratava-se de um vampiro. Um vampiro esfomeado, por sinal. E estava prestes a atirar-se ao pescoço de Marie. Ela parecia não se importar minimamente com isso. Já estava morta por dentro. Até lhe fariam um favor se lhe chacinassem o corpo. A sua alma tresandava a decomposição, como se estivesse enterrada há milhares de anos. Como se fosse uma múmia errante à espera que a maldição fosse libertada para voltar ao seu descanso milenar. E nada fez quando os enormes dentes do vampiro lhe perfuraram o pescoço e, gota a gota, lhe extraíram o sangue, deixando uma pequena parcela. Queria torná-la numa vampira. Uma das dele. Uma besta sem sentimentos, capaz de matar por um copo daquele líquido vermelho que outrora lhe correra nas veias. E ela nada fez para o impedir. Deixou que ele lhe limpasse o sangue. Pouco a pouco, a forte dor no pescoço onde ele lhe cravara as presas ia diminuindo. “Estou a morrer...” pensou para si. “Finalmente...” Então sentiu que a criatura se afastava. Sentiu os seus braços quentes afastarem-se do seu corpo subitamente febril. Estava morta. Ou não. Deu-se conta que das gengivas lhe pendiam dois dentes que não eram humanos. Dois caninos proeminentes. Dois dentes de vampiro. Era uma deles. Não estava morta, mas também já não era um “ser vivo”. Era uma fera nocturna, sem escrúpulos e sem alma. Nunca mais teria de levar com a luz do sol nem com toda aquela gentalha que sorria ao passar por ela, como se ela fosse “só mais uma”. Agora era uma vampira de apetite voraz, capaz de coisas inacreditáveis com o seu pouco mais de metro e meio. Virou-se para o homem para agradecer, mas deteve-se quando o olhou nos olhos. Eram os olhos mais bonitos que já vira. Poder-se-ia dizer que eram verdes, mas não o eram realmente. Eram como que uma mistura de verde com cor de avelã… mas que belos olhos tinha aquela criatura! Em nada se assemelhavam aos olhos de uma ser maligno. Ao olhá-los, Marie sentiu que havia algo ou alguém aprisionado dentro deles. Algo ou alguém bom, puro, com sentimentos. Como uma alma… deu por si a desejar abraçá-lo, beijá-lo, humanizá-lo. Mas controlou-se. Agora era bravia, não era suposto sentir o que quer que fosse por quem quer que fosse. Tinha sido transformada num ser de uma curiosidade apurada e, pior ainda, uma tamanha insolência capaz de irritar o mais sereno dos Homens.
- Como foi isso, vampiro? – Perguntou, apontando com a cabeça para o pescoço dele e levantando o queixo em sinal de superioridade. Podia perfeitamente pô-lo a sangrar e até partir-lhe um braço ou uma perna com relativa facilidade.
- Gerard. Para ti sou o Gerard. Aquele vampiro era deveras sensual. Devia medir cerca de um metro e setenta e cinco de altura, era robusto mas não gordo. Os seus longos cabelos pretos pareciam feitos de seda e os seus lábios em forma de coração eram extremamente apetecíveis. A sua camisa com quatro botões por apertar, as calças justas às suas pernas perfeitamente esculpidas, o seu sorrisinho cínico… tudo nele parecia despertar os mais selvagens instintos de Marie. Mas aqueles olhos… aqueles lindos olhos faziam-na recuar perante a ameaça iminente de voltar a si. Esquivou-se deles a todo o custo. – Nem queiras saber como isto foi… – apontou para os buraquinhos na sua pescoceira. Não se tinha transformado em vampiro por dá cá aquela palha. – Isso é uma outra história… para um outro dia… – à medida que ia falando aproximava-se mais e mais da jovem, que nada fazia para o afastar. Queria consumi-lo, possui-lo, respirá-lo… os seus mais primitivos desejos ardiam-lhe pelo corpo. Era uma vampira, nada lhe era proibido. Gerard agarrou-lhe no queixo com as mãos em forma de concha, como se soubesse exactamente o poder que os seus maravilhosos olhos exerciam sobre ela, que continuava a evitar a todo o custo o contacto visual. Gerard encostou os lábios à orelha direita dela – não resistas…
Quanto mais ela se tentava libertar dele mais presa àqueles braços ficava. Então ele aplicou o golpe de misericórdia: um olhar. Um simples olhar e aquela miúda ficaria à mercê do grande Gerard. Poderia fazer com ela o que desejasse, era a sua marioneta.
Por fim, os seus lábios fundiram-se
“Acabou-se”, pensou Marie, “estou final e completamente sob o feitiço desta...” não conseguia sequer pensar. Gerard cheirava a rosas vermelhas. Marie sentiu-lhe as mãos pesadas nas suas ancas. As mãos dele estavam quentes. Nenhum vampiro tem as mãos quentes…
10/09/2007
Look after you

"If I don't say this now
I will surely break
As I'm leaving the one
I want to take
Forgive the urgency but hurry up and wait
My heart has started to separate
Oh, Be my baby
I'll look after you
There now, steady love, so few come and don't go
Will you, won't you, be the one I always know
When I'm losing my control, the city spins around
You're the only one who knows, you slow it down
If ever there was a doubt
My love she leans into me
This most assuredly countsShe says most assuredly
I'll look after you
It's always have and never hold
You've begun to feel like home
What's mine is yours to leave or take
What's mine is yours to make your own..."
by: Isaac Slade
9/25/2007
coiso... foto do Iero pa ilustrar a estupidez e porque a menina dos Gatinhos gosta do senhor xD

B.O.C. (Blue Oyster Cult) Brigada das Oreos Cremosas
M.C.R. (My Chemical Romance) Movimento Contra o Recensseamento
A.F.I. (A Fire Inside) Associação Filandesa de Idiotas
P.A.T.D (Panic At The Disco) Partido Alemão dos Totós e Desquecidos
QOTSA (Queens of The Stone Age) Quinze Orquídeas Todas Sarapintadas de Amarelo
F.O.B. (Fall Out Boy) Faltam Orquídeas no Balde
F.F.T.L (From First To Last) Fundaçao Fedorentos sem Trela de Lisboa
F.F.T.L (From First To Last) Fundaçao Fedorentos sem Trela de Lisboa
B.L.B (Black Light Burns) Baixas, Lésbicas & Brutas
F.A.T.A (From Autumn To Ashes) Frente Analfabeta dos Tarados por Alface
M.T.A.T.(More than a Thousand) Movimento Terror em Andamento Tiruliruliruuu
CSS (Cansei de Ser Sexy) Comi Sal Salgado
PSB (Pet Shop Boys) Partido Sem Brain
NIN (Nine Inch Nails) Ninguém Ingeriu Narcóticos
LCD(Limpo com desinfectante)Soundsystem
N.E.R.D. (No One Ever Really Dies) Não estão realmente dotados (para a música)
RATM (Rage Against The Machine)- rapazes abichanados trocam miminhos
NOFX -> No Olival Fiz Xixi
AC/DC -> Antes cabra depois cabrão
AAF -> Ali Andam Fufas
BSC -> Bamos Sapatear o Chão
COB -> Cagões ou Borrados?
DPC -> Dás Pó Cú
DT -> Directora de Turma
FFAF -> Fui F*der A Filipa
FATA -> Fui Ao Tasco do António
Gn'R -> Gomas n' Rebuçados
B.F.M.V (bullet for my valentine) Bamos F*der a Mae do Vitor
L.T.M (Legendary Tiger Man) Liga Tibetana de Marmelos
F.O.B. (Fall Out Boy) Fo*emos os Blitz xD
M.B.V. (my bloody valentine) Movimento dos Bem Vêbedos
S.O.A.D. (system of a down) Sindrome Opressivo da Artrite Dentaria
N.I.N. (Nine Inch Nails) Nao fui eu que Investi todo o nosso dinheiro Numa conta poupança B.S.B. (backstreet Boys) Brigada dos Seriamente Bêbedos
ATWKUBTTOD (And They Will Know US By The Trail Of Dead): Até Teres Waffles, Komo Uma Boa Tosta, e Torta de Ovo, Depois
BEP (Black eyed peas) Barricada Episcopal de Portalegre
FFTL (from first to last) Fomos a França Todos Lampeiros
FFTL (from first to last) Fomos a França Todos Lampeiros
RTP - Rock Todo Podre
SIC - Sofro Imenso Caralho
TVI - Temos Varicela Idiota
9/18/2007
Nothing else matters...

it consumes me inside... it incinerates every little piece of my heart...
you give me so much of you without a sound. and the little things you do on your everyday really matter to me, 'cause i love you... i love the way you smile... i love your eyes...
you put all your heart in what you do, whether it's a drawing or on stage. you're proud to be who u r and that's y i love you. you love those weho are proud to love you and you need us almost as much as we love you. you're bigger than life itself, but yet smaller than sin. you're as big as a song, as a poem, as a heartbeat. and u make my heart beat faster.
9/11/2007
Who am I?
I've been wandering 'round 'n' 'round
around a table that is round.
I bow down,
my knees in the cold ground
and I wander 'round 'n' 'round
around a wonder that is round
and I wonder
"Who am I?"
I could be mere lie
or maybe the hopeless groan of those who died
without ever being alive.
I could be just a scrap
of a crappy little crap,
a verse in a rap song.
I could be a short fairy tale,
one that's too long to be heard.
I could be the heart of everything
or I could be just nothing.
I'm probably just a small thing
but I'm shout it out loud
'cause I'm proud to be small
but bigger but than you'll ever be.
'Cause I'm the small unimportant thing
your eyes can't seem to see
and I'm just happy to be me.
9/01/2007
Raquel

Eu nunca tive muito jeito para estas coisas, portanto cá vai:
És um espectáculo de rapariga. A sério que és. Aturas as minhas palermices acerca de couves e Queijo Limiano, entendes a minha pancada por aquele gajo Gerard Way e tal... Agora a sério, és das melhores amigas que alguma vez tive. Neste singelo mês demonstraste-te capaz de fazer mais por mim do que as pessoas que julguei serem as minhas melhores amigas durante 3 anos. Sei que posso confiar em ti e isso é o mais importante. Só tenho pena que não nos tenhamos conhecido há mais tempo. Espero que continuemos a escrever-nos durante muito, muito tempo, pois ler as tuas cartas e responder-lhes é para mim uma terapia para aqueles dias em que estou em baixo (que, ultimamente, têm sido muitos). E eu não tenho jeito pa lamexices, portanto vou-me calar. Acho que percebeste a ideia. E vemo-nos dia 8 (ena, falta uma semana!)
Adoro-te
8/30/2007
Exceptional
Dedicated to: Raquel. És perfeita, amiga! Deixa-te de coisas!
"You're beautiful but you don't know
Can't see whats there inside your soul
Always feelin like you're not good enough
You wish you could be someone else
Sometimes you just can't see yourself
But I can see just who you are
You're exceptional the way you are
Don't need to change for nobody
You're incredible, anyone can see that
When will you believe that?
You are nothing but exceptional
You never think you measure up
Never smart or cool, or pretty enough
Always feeling different from all the rest
You feel so out of place
you think you don't fit in
I think you're perfect in the skin you're in
You're just perfect just how you are, just how you are
If you could see the one I see when I see you
You'd know how lucky you are to be you
I see through into you
And you are...
nothing but exceptional..."
by: Jojo
"You're beautiful but you don't know
Can't see whats there inside your soul
Always feelin like you're not good enough
You wish you could be someone else
Sometimes you just can't see yourself
But I can see just who you are
You're exceptional the way you are
Don't need to change for nobody
You're incredible, anyone can see that
When will you believe that?
You are nothing but exceptional
You never think you measure up
Never smart or cool, or pretty enough
Always feeling different from all the rest
You feel so out of place
you think you don't fit in
I think you're perfect in the skin you're in
You're just perfect just how you are, just how you are
If you could see the one I see when I see you
You'd know how lucky you are to be you
I see through into you
And you are...
nothing but exceptional..."
by: Jojo
Dedicated to: Alex
I see the sky up high
and I feel like crying
'cause in my deepest dreams,
I can almost touch the moon...
Just promise me you'll be home soon.
There's still room inside for you,
for us,
for two....
Don't be in such a rush
'cause that would be way too much...
Just close your eyes
and picture the sky
so blue,
so high...
And don't censor your tears.
Just cry...
'Cause if we cry together
this thing we have won't die...
and I feel like crying
'cause in my deepest dreams,
I can almost touch the moon...
Just promise me you'll be home soon.
There's still room inside for you,
for us,
for two....
Don't be in such a rush
'cause that would be way too much...
Just close your eyes
and picture the sky
so blue,
so high...
And don't censor your tears.
Just cry...
'Cause if we cry together
this thing we have won't die...
8/29/2007
The Sharpest Sharp
The sharpest sharps are way too sharped...
Can't cry it all away.
Can't find the way,
the way to your heart.
There must be another way...
You always seem to know exactly where you need to be
and what you have to do
in order to break my heart into a thousand little sharps.
And now I know,
from the bottom of what's left of my broken soul,
that the sharpest sharp
that sharps my heart
and haunts my dreams is you...
Can't cry it all away.
Can't find the way,
the way to your heart.
There must be another way...
You always seem to know exactly where you need to be
and what you have to do
in order to break my heart into a thousand little sharps.
And now I know,
from the bottom of what's left of my broken soul,
that the sharpest sharp
that sharps my heart
and haunts my dreams is you...
Subscribe to:
Posts (Atom)